Por Valden RochaRecentemente estava na casa dos meus pais fazendo umas correções do meu texto que iria para o blog, e pedi que minha irmã me ajudasse com as correções ortográficas, quando ela de forma brincalhona fez o seguinte comentário: “Enquanto o nosso irmão prega o bem, você insiste em fazer o mau, depois eu leio”. Referindo-se aos textos que escrevo no blog. Naquele momento não dei muita importância, mais a frase ficou povoando meus pensamentos desde então.
Tal frase se referia ao outro irmão, que é formado em Teologia e o principal responsável por conduzir parte de minha família para o protestantismo, ficando eu com os meus questionamentos céticos.
O que minha irmã externou, na verdade é a posição de milhares de pessoas que se vestem com a burka da verdade religiosa.
Nas entrelinhas, o pano de fundo da frase, que de forma inconsciente, acredito eu, demonstra intolerância as opiniões divergentes, e um fundamentalismo religioso que começa a se manifestar, que claramente afirma: “se não é um dos nossos, é porque faz parte do mau”.
Essa intolerância religiosa é percebida facilmente nas escolas, ambiente de trabalho, em reuniões sociais e em rodas de amigos. Basta colocar em um mesmo ambiente um evangélico um judeu, um católico, e um espírita, ou qualquer outro que tenha um credo contrário, e então à celeuma esta formada.
E quanto maior o número de pessoas, maiores são as probabilidades de que guerras e atentados possam vir acontecer. Exemplos assim abarrotam a literatura da história da humanidade. Há! Não me lembro de nenhuma guerra ou atentado capitaneado por céticos.
Voltando para a frase que me motivou a escrever esse artigo, onde o conceito de bem e mau, perpassa os valores morais e éticos, mais pousa no colo do conceito da intolerância religiosa.
Quando me foi atribuído à ação de fazer o mau, parei pra reler todos os meus textos postados no blog, e diferentemente de alguns textos bíblicos, em nenhum momento fiz apologia à violência. Muito pelo contrario, deixo bem claro, a minha indignação perante as injustiças e mortes sofridas por milhões de pessoas inocentes por conta do fanatismo religioso, em decorrência de guerras santas, pela ausência de solidariedade dos grupos que se intitulam “os bons”, pela a intolerância de alguns grupos religiosos, pela imposição de credos, pelas fogueiras humanas da inquisição, e por outras barbáries cometidas em nome de Deus.
Que fique bem claro que minha posição contraria a religiosidade não é com os moderados, mais sim com os fanáticos e intolerantes, com os que desrespeitam o estado laico, que passam por cima dos princípios democráticos e que se julgam acima do bem e do mau.
Finalizo com uma frase de um escritor Israelense, chamado Amos Oz que diz: “Ele quer salvar sua alma, quer redimi-lo, quer libertá-lo do pecado, do erro, do fumo, da sua fé ou de sua falta de fé, quer melhorar seus hábitos de bebida ou de voto. O fanático importa-se muito com você, ele esta sempre se atirando no seu pescoço, porque o ama de verdade, ou apertando sua garganta, caso você prove ser irrecuperável.”